Seguidores de Jake e Mary

domingo, 21 de julho de 2013

Capítulo 8 - O Primeiro Beijo

Image courtesy of Kongsky / FreeDigitalPhotos.net
 
 
 

Capítulo 8

O Primeiro Beijo

 
Passaram-se alguns dias, desde que encontrara Mike e Mary na loja. Desde então, nunca mais a tinha visto, nem ao Mike mas também não a tinha esquecido. De dia pensava nela, de noite sonhava. Isto quando conseguia adormecer, porque dormir mesmo a noite inteira, começava a ser uma raridade! Agora era sempre assim, pouco ou nada dormia, não importava se estava muito ou pouco cansado. Não parava de pensar nela…

Uma hora após ter acordado, levantei-me. Estava cansado de dar voltas na cama vazia. Como não conseguia dormir, fui para a praia pescar. Era o melhor que podia fazer, pelo menos distraía-me com a linda paisagem. Mais tarde, iria surfar à hora combinada sob as instruções de Andy. Este era o plano. No entanto, eu não estava sozinho naquela praia como pensava, porque sem que eu esperasse umas mãos vendaram os meus olhos.

─ Quem és? ─ Perguntei, mas ninguém me respondeu. Então, como desejava que fosse Mary, arrisquei e disse o seu nome. ─ Mary?

─ Como soubeste que era eu?! ─ Disse ela saindo de trás de mim, surpreendida.

─ É fácil, o toque é feminino. As mãos das mulheres são mais suaves.

─ Humm, muito espertinho, tu! O que fazes aqui a esta hora, ainda nem amanheceu!

─ Não tinha sono e vim pescar para descontrair. É bom para acalmar a mente. ─ Respondi.

─ Ui, o que é que te anda a tirar o sono? Não me digas que sou eu! ─ Disse na brincadeira.

─ Claro, que não... Só estou ansioso com o campeonato, é isso. ─ Respondi com uma meia verdade. Estava surpreendido com a percepção de Mary. Como podia ela saber?! Conhecíamo-nos havia poucos dias e ela já percebera meus sentimentos! As mulheres tinham uma intuição excepcional, realmente. "Boa, Jake, realmente és muito bom a guardar segredos. Idiota!", suspirei censurando-me em pensamento.

─ Estás mesmo preocupado! Que campeonato é esse, também posso participar?! ─ Perguntou Mary com entusiasmo.

─ É mais ansiedade o que sinto, do que preocupação. O campeonato de que estou a falar, é de surf e realiza-se nesta praia daqui a 14 dias, do qual sou participante. Era porreiro se entrasses! Praticas surf?

─ Não, mas gostava. Mas tudo bem, não posso. O meu pai também não me deixava.

─ Então porquê? ─ Perguntei interessado.

─ Não é óbvia essa resposta?!

─ Não.

─ Ok, está bem, eu explico. É porque sou uma mulher, Jake.

─ E o que é que tem de seres mulher?

─ A minha família é muito tradicionalista, conservadora. Os meus avós são judeus e quando se deu a segunda guerra mundial, fugiram da Alemanha e vieram no porão de um navio para cá. Vinham cheios de esperança para começar uma nova vida. América, o país da liberdade e da realização dos seus sonhos.

─ E os teus avós que vieram para cá, eram paternos ou maternos?

─ Eram paternos, os meus avós maternos já cá estavam e eram amigos da família dos meus outros avós. Foi assim que os meus pais se conheceram, ficaram noivos e casaram. Seguiram os preceitos judaicos a rigor e transmitiram-me esses mesmos valores.

Eu ouvia-a atentamente e a cada palavra, a cada movimento do vento nos seus longos cabelos ondulados louros, deixava-me mais apaixonado por aquela jovem que era prima do meu melhor amigo: Mary. Até que um peixe mordeu o isco e a história foi interrompida! Numa grande animação tirámos o peixe de dentro de água, Mary prontificou-se a ajudar sem que lhe pedisse auxílio. Ela era dinâmica, activa, cheia de iniciativa e muito perspicaz também. O vestido esvoaçava levemente com os seus movimentos e revelava-me a perfeição do seu corpo de mulher. Seus seios eram redondos, mas não muito grandes, a cintura era fina e bem delineada, assim como as suas coxas e pernas. Pareciam terem sido esculpidas por escultores célebres da história da arte, tais como Miguel Ângelo, ou Leonardo Da Vinci. Suspirei fechando os olhos apreciando o momento, sem ela perceber, até que houve um movimento imprevisível a manejar a cana que nos enrolou um no outro, no fio de pesca. Os nossos corpos tocavam-se e as nossas bocas roçaram-se por breves instantes, numa respiração quente e ofegante. Senti os seus seios redondos, aumentarem de volume de encontro ao meu peito musculado, naquele momento de excitação. Então parámos e ao olharmo-nos nos olhos ficámos em silêncio. A lua iluminava os belos olhos de Mary, verdes como o mar e as nossas bocas uniram-se num longo beijo apaixonado. E que beijo, meu Deus! Tão doce. Tão quente, molhado, intenso deixando-me muito excitado, mas no momento em que minhas mãos avançavam precipitadas pelos seus seios, ela empurrou-me e já desembaraçado do fio desequilibrei-me e cai no chão.

─ Tenho de ir... ─ Declarou, saindo a correr subitamente.

─ Mary... ─ Chamei-a, mas ela não respondeu e desapareceu em direcção a casa.

Fechei os olhos e deixei-me ficar deitado, a recordar o momento vezes sem conta. Mas por outro lado, fiquei confuso. Teria ela ficado chateada por causa do nosso beijo...? Ou ela empurrou-me e fugiu por ter gostado? Claro que ela não tinha gostado, fui demasiado ousado e atrevido!

─ Jake, és um idiota! ─ Murmurei sentado na praia. ─ Estraguei tudo com a Mary... ─ e dizendo isto, as lágrimas molharam o meu rosto. Limpei-o em seguida, já era dia e o sol estava a nascer. Andy, acordara e eu não queria que ele me visse assim.

─ Bom dia, puto! Já cá estás? ─ Perguntou Andy ao abrir a porta da sua casa.

─ Olá, Andy. Bom dia. ─ Respondi pensativo e comecei a arrumar o material de pesca. A linha estava partida e tinha deixado o peixe fugir.

─ Estás aí há quanto tempo? ─ Perguntou.

─ Desde as 4h30...

─ Madrugaste hoje! O quê, caíste da cama abaixo, foi? - Brincou. ─ Tens de controlar essa tua ansiedade.

─ Pois tenho...

─ Anda daí, vem tomar o pequeno-almoço comigo.

─ Obrigado, Andy, mas não tenho fome. Desculpa.

─ Hoje estás esquisito. O que se passa contigo? Foi a tua mãe?

─ Não, não foi nada. Está tudo bem. Vamos treinar?

─ Ok, ok, hoje não estás com muita disposição para conversas. Não é? Estou a compreender-te. ─ Dizendo isto, fez um gesto para eu ir andando. ─ Vai.

Ele já iria ter comigo depois do pequeno-almoço e obediente, fiz o que ele me indicava com o gesto. Peguei na prancha e nadei com ela até onde costumava ir, para cavalgar nas ondas. Depois, esperava e concentrava-me profundamente. Eramos só nós, o céu, o mar, a brisa, Deus e eu. Para mim o sol era a face de Deus, ou pelo menos era assim que eu pensava.

Tentei esperar por Andy, mas hoje estava demasiado nervoso, impaciente. Sentia-me confuso e perturbado, mas também muito apaixonado.

Logo depois chegou o Andy que foi ajudar-me a desenvolver-me nos tubos. Adorava fazer isto, entrar dentro das ondas. Era espectacular!

E assim começava o meu dia, seguindo para casa para almoçar, regressando depois à tarde para surfar novamente. Mas hoje, não me estava a apetecer ir para casa. Com a sorte que estava a ter, ainda ia dar de caras com o Mike que depois, provavelmente, me pediria contas por causa de Mary. Afinal eles eram primos direitos... Talvez devesse ficar com Andy e tentar dormir ali, pois esta noite não pregara olho por estar a pensar em Mary. E a lembrança daquele beijo veio à minha mente, outra vez. Foi tão quente que quando penso no beijo, ardo por dentro. Terei errado tanto assim?

Agora mais do que nunca tinha a certeza, era Mary a mulher da minha vida. No meio destes pensamentos, distraí-me e perdi o equilíbrio caindo ao mar. Vi Andy bracejar à beira do mar, mas como estava tão absorto nos meus pensamentos não percebi o que ele dizia e bati contra outro surfista que estava perto. O nome dele era Dilan.

─ Hey, estás cego ou quê, meu? Vê mas é para onde vais!

─ Desculpa, Dilan. Não te vi, estava distraído…

─ Distraído?! Estás a precisar é de estar com uma mulher, isso sim!

Não lhe dei resposta e remei até à praia. Andy, que tinha assistido a tudo, perguntou imediatamente:

─ O que foi aquilo, puto? Passaste-te?!

─ Distraí-me…

─ Distraíste-te? Ouve lá, faltam duas semanas para o campeonato. Não te podes simplesmente distrair, Jake! Concentra-te, meu.

─ Desculpa, não volta a acontecer.

─ Vê se atinas!

Andy deu-me um enorme sermão. Ele tinha razão, tinha de concentrar-me, ou poderia esquecer o campeonato. Perguntou-me o que se passava comigo e eu contei-lhe a verdade, falei-lhe de Mary e no que tinha acontecido.

─ Ah, então é isso! Encontraste-a. Compreendo, mas não te preocupes. Ela volta.

─ Achas?

─ Sim, dá-lhe tempo. Ela assustou-se, provavelmente, está confusa também. Isso passa!

Depois desta conversa esclarecedora, fui para casa dormir, ou pelo menos tentar. Precisava descansar, mas desta vez dormi mesmo. Foi toda a tarde.

Fui acordado pelo telefone, que tocava insistentemente. Atendi, mas ao levantar o auscultador desligaram do outro lado da linha sem que eu tivesse tempo de falar. Praguejei aborrecido e após por o auscultador no local, vi debaixo da porta da rua um papel dobrado.

Intrigado, cocei o queixo proeminente e bem barbeado, apanhei a folha de papel do chão, que estava dobrada em duas e li-a. Nela estava escrito o seguinte:

Jake,
 
Vem ter comigo à praia ao pôr-do-sol.
Precisamos conversar.
Mary
 
Guardei o bilhete no bolso dos calções e fui para a praia espera-la. Estava na hora.
 
 
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
(Próximo Capítulo a Publicar: Domingo, dia 28 de Julho de 2013
 



11 comentários :

  1. Olá amiga
    acabei de ler os capítulos que não havia lido ainda, esta estoria esta cada vez mais quente, aguardando os próximos e torcendo para que os dois se acertem, apesar das diferenças. Beijinhos.

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  2. A história continua linda

    Desejo um Domingo muito feliz

    Abraço

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  3. Tem um selinho pra você, fique a vontade para responder ou não. Bjs
    Coruja 6º Selo

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  4. Olá boa tarde tudo bem com você?
    Hoje nossa missão é lhe convidar a receber um lindo selinho, mas você é livre para aceitá-lo ou não.
    Se gostar leve-o consigo.
    ( http://quandovocevier.blogspot.com.br/2013/07/nosso-primeiro-selinho.html )
    Deixamos aqui nosso carinho ...
    Beijos
    Rafa e My

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  5. Vamos aguardar então dona Mary resolver dar outro beijo em Jake...
    Curiosa...

    Beijos

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  6. Vou ter de ler os que perdi, senão vou me atrapalhar toda.

    Vou voltar aos poucos e ir lendo um por um.

    Estou em reformas em casa, mal tenho tempo de entrar e postar nos blogs, hoje tirei um tempinho só pra isso ...

    Fico feliz em ver você de volta Cris, você faz-nos falta ...

    Abraços e carinhos
    Mynda

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  7. Oi Cris,
    boa tarde,
    um texto agradavél,
    eu adorei ler,
    um capítulo muito bom para desfrutar,
    (Eu vou voltar para o segundo beijo e competição)

    Desejo-lhe uma linda terça-feira
    um abraço e um beijo

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  8. Oi Cris :)
    Que capítulo evolvente.
    Sempre fico curiosa pra saber o desenrolar da história.
    Bjs!

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  9. Puxa!!! agora aguardar o proximo domingo só para saber o desfecho...
    Interessantíssimo tudo!
    bjs
    Ritinha

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  10. À você dedico:

    Dia 25 de julho – Dia do Escritor
    Como dizia Pablo Neruda:

    “Escrever é fácil:
    Você começa com a letra maiúscula e termina com um ponto final, no meio você coloca as idéias”

    bjs
    Ritinha

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  11. Que historia a dela hem adorei...e claro mais um capitulo sensacional.

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Olá e sê bem-vindo(a)!!

Este é o meu novo blog/livro. Comenta a história de Jake e Mary, dando-me a tua opinião. Ela é muito importante para mim.
Obrigada pela tua visita e volta sempre que queiras!
É muito bom ter-te aqui.

Abraços,

Cris Henriques

P. S. - Se tiveres um blog, se fores novo(a) por aqui e não nos conhecermos, deixa-me o link para que eu possa retribuir-te com a minha visita.

Tradutor

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