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Capítulo 14
A Verdade
─ O que significa
isto?! ─ Exclamei estupefacto, ao encontrar seminus, a minha Mãe e o Andrew
Johnson deitados na cama dela.
─ Calma, Jake…
Calma, não é nada disso que estás a pensar… ─ disse Andy, levantando-se da cama
imediatamente, precipitando-se a vestir a sua roupa caída no chão.
─ Filho, eu posso
explicar-te tudo… Calma.
Balbuciaram os
dois amantes, levantando-se da cama e vestindo as suas roupas, olhando-me
surpresos.
─ Calma? Vocês,
pedem-me calma! Andy, como foste capaz de me fazer uma coisa dessas, pá?! É a
minha Mãe!! ─ Rugi, como um leão enfurecido! Estava desiludido e furioso com
Andy. Com tanta mulher na cidade, porquê a minha Mãe? ─ Porquê?!?!
Os dois
emudeceram e entreolharam-se, como que tentando procurar uma explicação
convincente para me dar, mas em vez de uma explicação a minha Mãe respondeu:
─ Jake, este
homem que está aqui é o teu Pai.
─ O quê? Vocês
pensam que sou estúpido?! É?! Por quem me tomam vocês?! Tomam-me por um surfista burro e ignorante, é?! O meu
Pai está morto e o seu nome era Owen Moore!
─ Pois, filho,
esse é o verdadeiro nome do teu Pai, mas…
─ Deixa, Ciara.
Deixa, eu conto-lhe. Jake, senta-te e ouve-me. Eu vou contar-te tudo. Não faças
julgamentos precipitados, por favor.
─ Sim, filho.
Escuta o que o Andy tem para dizer. Escuta-nos. Ninguém aqui quer enganar-te,
ou mentir-te. Por favor, filho.
─ Continuo a ser
mesma pessoa. Sou o teu amigo Andy. Por favor, Jake.
─ Ok, eu ouço o
que tens para dizer. ─ Disse sentando-me no sofá na sala, enquanto ele e a
minha Mãe sentaram-se no outro sofá à minha frente.
─ Jake, Andrew
Johnson foi o nome que adoptei, quando entrei para o mundo do surf. Após a tua Mãe regressar a Austin,
andei um bocado perdido na vida e entrei em depressão. Foram tempos muito difíceis
para mim, como já te contei na outra vez.
Um dia recebo uma
carta a avisar-me de que o meu avô tinha morrido e me deixara a sua pequena
fortuna: um barco de pesca e algum dinheiro. Regressei à minha terra em Penrose,
no Colorado, para receber a minha herança e como nada tinha a perder, nem ninguém
à minha espera decidi recomeçar a minha vida ali. A cidade era pequena e as
pessoas, eram muito afáveis. Passara a minha infância ali com os meus avós,
portanto, pensei que seria bom para mim.
Em Penrose,
sentia-me realmente em casa. As pessoas conheciam-me e fui bem acolhido por
velhos amigos, que me convidavam para as suas casas e para as suas festas. Assim,
foi a primeira semana, agitada. Porém, de noite que a solidão se instalava e
trazia-me à memória, as lembranças de quando e de como tinha sido feliz, sobretudo com a tua Mãe. Perto
dela, sentia-me vivo, feliz e naquele momento, já não a tinha a ela e nem ao meu
avô, com quem tinha longas conversas desabafando os meus problemas. Ele sempre
me orientava com os seus conselhos sábios, simplificando tudo e no fim sorria
dizendo: “Filho, tudo tem uma solução. A seu tempo tudo se resolve. Não te
preocupes. Sorri para a vida e ela retribuir-te-á o seu sorriso. Confia.” Mas
agora, já não tinha quem me ouvisse, quem me falasse e quem me orientasse.
Então, um dia uns
amigos convidaram-me para a noite de poker em casa de um deles. Eu adorava aquele
jogo, divertia-me muito e jogava mais ou menos bem. Descobri que jogar poker me
fazia sentir vivo. Pelo menos, enquanto jogava não pensava em problemas e nem
me sentia sozinho. Até que um dia um desses meus amigos, apresentou-me a Tony
Mancini e ele começou a jogar connosco. Depressa as apostas tornaram-se cada
vez mais altas e de repente, sem saber como, perdi tudo! O pouco dinheiro que
herdara do meu avô e o barco, passaram de imediato para as mãos de Mancini e eu
fiquei arruinado, com uma dívida enorme para pagar…
Ouvia-o
atentamente e ao ouvi-lo, toda aquela raiva que senti inicialmente começou a
passar e eu comecei a ficar mais calmo.
─ Mancini e os seus
homens não paravam de me pressionar, ─ continuou Andy. ─ Começaram a ameaçar-me
de morte e exigiam-me um dinheiro que eu não tinha forma de pagar. Já não tinha
paz, nem sossego. Foi então que, fugi para o Havai e um velho surfista havaiano, ajudou-me. O seu nome
era Duke Paoa Kahanamoku.
Ele era um grande surfista, um grande
atleta olímpico em natação. Foi através de Duke, que o surf se tornou um desporto. Ganhou 5 medalhas, 3 de ouro e 2 de
prata. Foi Duke Kahanamoku, que trouxe o surf
para a Califórnia.
Duke, ensinou-me
tudo o que sei sobre o surf,
incluindo a criação das pranchas. Aprendi tudo muito rapidamente e então, mudei
o nome para Andrew Johnson e tornei-me surfista.
Tal como tu, filho, sentia-me bem no mar. Mais tranquilo, até que fui atacado
pelo tubarão e bem, creio que o resto já sabes…
─ Sim, parece que
sim. E como ficou a
história entre Tony Mancini e tu?
─ Bem, o Tony foi
preso algum tempo depois e numa tentativa de fuga, foi abatido pelo guarda que
disparou a arma para travá-lo, acertando-lhe pelas costas. Teve morte imediata.
─ Filho, antes de
trazeres o Andy cá para jantar connosco, eu não sabia quem ele era. Nunca mais
nos havíamos encontrado.
─ É verdade. ─
Confirmou Andy, ─ Nunca mais tinha visto a tua Mãe, até àquela noite.
─ E eu, como é
que fico no meio desta história toda? Porque nunca me procuraste?
─ Jake, o teu Pai
não sabia da tua existência. Quando percebi que estava grávida, estava já com
aulas na Faculdade. Era uma miúda, não sabia o que fazer, percebes? Consegui esconder
a gravidez durante alguns meses. A única pessoa que sabia de tudo foi Lucy, que
me ajudou a encobrir a gravidez. Não sabia o que fazer, estava confusa e também não
sabia como enfrentar os meus pais. Tinha medo dos teus avós, Jake. Acreditava
que eles não aceitariam a minha gravidez de forma alguma, então Lucy, ofereceu-me
a sua ajuda e eu aceitei-a. A ideia dela era eu fazer um aborto. Ela trataria
de tudo, conhecia uma parteira que fazia isso. Só teria de arranjar o dinheiro
que ela pedia e depois, tudo ficaria bem.
No entanto, eu não
me sentia bem com a ideia do aborto. Queria ter-te, criar-te. Não queria
matar-te! Diariamente, sentia-te crescer dentro de mim. Eras meu filho, eras
responsabilidade minha e já te amava tanto. Deveria ter-te, mesmo que tivesse de deixar tudo para trás
e cuidar de ti sozinha. Porém, Lucy rejeitava terminantemente a ideia de eu não
fazer o aborto, recusando-se a discutir o assunto.
No dia em que
estava marcado o aborto, fugi apanhando o autocarro nem sei bem para onde. Estava
em pânico e a única coisa que sabia, era que não te queria perder. Desesperada
e a chorar, liguei aos meus pais. Não sei como, arranjei coragem e contei-lhes tudo o que se estava a passar
comigo. Inicialmente, a minha mãe ficou chocada, mas depois disse-me para voltar
para casa e eu assim fiz.
Quando nasceste,
tentei procurar o teu Pai para falar-lhe de ti. Contudo, ninguém me soube
informar ao certo do seu paradeiro e eu, acabei por desistir dele.
─ Porque me
mentiste, Mãe?
─ Porque achei
que era melhor para ti. Eu não sabia nada do teu pai e acreditava que nunca
mais o voltaria a ver. Não sabia se estava vivo, ou morto. Nada. Os teus avós,
acharam que era a melhor solução. Perdoa-me. ─ Pediu-me com lágrimas nos olhos.
Baixei a cabeça e
disse:
─ Ok. Eu perdoo-te
Mãe e a ti também,… Pai. Mas… Nunca mais me mintam.
Abraçamo-nos os
três, a chorar com a emoção. Depois, Andy, ou seja, o meu Pai, foi para a loja. A
minha Mãe foi trabalhar e eu fui deitar-me, estava cansado. Precisava dormir. Mais
tarde, iria treinar. Restavam apenas dois dias para o campeonato de surf em
Huntington.
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
(Próximo Capítulo a Publicar: Domingo, dia 15 de Setembro de 2013)
Oi Cris :)
ResponderEliminarQue emocionante!
Adorei saber que Andy é pai biológico de Jake!
Um dos capítulos mais empolgantes...
Bjs!
Olá amiga Clau. :)
EliminarFico contente que estejas a gostar da história. O campeonato de surf, está perto.
Vamos como Jake "O Destemido", se comporta...
Beijos, minha amiga.
Uau que reviravolta...adorei, sabe tenho parentes que perderam tudo em jogo de cartas depois tiveram uma vida bem simples mesmo é lamentável pq eles cobram mesmo e se não paga a família toda corre perigo, muito bom mais um capitulo emocionante.
ResponderEliminarOlá madrinha.
EliminarFico feliz por teres gostado deste capítulo.
Mas ainda vem aí muitas surpresas, que podem ser agradáveis ou não.
Beijos
Menina, coloquei tudo em dia!!!
ResponderEliminarMas que mundo pequeno esse.... e isso é totalmente real. Eu ficaria chocada com uma notícia dessa e demoraria uns dias pra assimilar tudo. Não perdoaria de imediato...mas o rapaz foi bem receptivo. Deve ser porque já sentia afinidade com o pai.
Vamos ver os próximos...
Será que Mary vai convencê-lo a ser judeu? Sei não... tô curiosa.
Beijos
Clarinha;
EliminarFico feliz por estares a acompanhar a história de amor de Jake e de Mary. Por amor, minha amiga, tudo se faz, mas com conta peso e medida.
Obrigada por estares aqui.
Beijos